Deixe meu vento soprar forte sobre suas águas. Entregue-se como se fosse a última vez. Viva, compreenda e festeje minhas tempestades. Deixe eu beber de sua água e nela morrer afogado. Conte-me sempre a verdade e minta somente ao dizer que me odeia. Me faça leve brisa pela manhã e bruto vendaval quando nossas línguas e pernas se cruzarem na cama. Deixe eu mandar. Sinta-se deliciosamente obediente. Me ajude a vencer o passado e mostre-me um novo futuro. Compartilhe esse futuro comigo, só comigo. Seja minha única razão de vida e meu desejo secreto de morte: uma morte lenta, suave e molhada, enquanto destila no meu sangue o veneno quente e fatal de mil escorpiões.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Amuado.
Reservo meu dia para reflexões e dúvidas. Sou "viver" no gerúndio. Afogando-me em incoerências e desculpas esfarrapadas. Apontando inquieto as contradições e me irritando quando me subestimam. Reservo o dia para ouvir o silêncio, o meu silêncio. Nada mais.
domingo, 3 de outubro de 2010
Guia explicativo para idiotas e enganados.
Enganar é uma arte. É o desafio próprio de ludibriar alguém e sorrir intimamente vitorioso. Enganar é simplesmente enganar, com a velha desculpa de ter omitido com medo da dor ou ciúme que poderia causar. Enganar não é lecionado como matéria obrigatória nas escolas de todo o mundo, contudo apresenta altos índices de frequentadores e, pasmem ou não, de alunos aprovados com notas de dar inveja a qualquer mortal com o QI acima de duzentos. Enganar é sair dizendo que vai ao trabalho e desviar a rota, é ligar quando não estamos em casa, é escolher o desejo ao sentimento. Fracos defendem que enganar é hormonal, é evolutivo, é do instinto da sobrevivência. Outros afirmam que é saborear o proibido, é se aproximar de alguém próximo a você para enganar em conjunto: demodê é enganar na solidão; é preciso união, é preciso sorrir do enganado e contar suas intimidades com o objetivo de minimizá-lo, de descobrir detalhes não conhecidos. Enganar tem sabor de morango com sorvete de creme, tem música tema e mensagens românticas que serão negadas depois de descobertas. Enganar tem idade alvo e carência como tola e inacreditável justificativa. Enganar não exclui o ato de dormir juntos como se nada estivesse acontecendo, não exclui beijos matinais ou sexos casuais. Enganar deve ser genético, sem necessidade de duplo dominante para macular a fenotipagem. Enganar é nomear um longo passado em apenas três segundos e repetí-lo várias vezes para uma absorção osmótica: é utilizar desse frívolo argumento para se safar das consequências e empurrar mil sentimentos no meio da lavagem de roupa suja. Enganar é publicar textos com duplo sentindo e fingir ignorar as conotações. Enganar é duvidar do infalível método chinês de diagnóstico: TANAKARA !! Enganar é negar fatos óbvios e esboçar desentendimento ou esquecimento quando perguntado sobre os mesmos fatos óbvios. Enganar é doloroso para os algozes e para as vítimas. Enganar é tentar abafar no passado algo que provavelmente é ato recorrente e culpar a fraqueza da carne. Enganar é Rei tendo todos nós como escravos; escravos de um futuro sombrio, sem escolha e sem rebelião.
sábado, 2 de outubro de 2010
Pluvial
Hoje sou pluvial. Tenho a constrição nata da distância e o merejar típico da insegurança. O ciclo da água é experimento recorrente ante o espelho. Sim, hoje sou gotejadamente pluvial, regando meu velho chão de madeira com água e sal.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Deux
Pintei minha vida de azul, deixei fluir velhos temas e acreditei um pouco mais no destino. Botei Cake na vitrola, abri a janela virtual e vi o aro prata num dos dedos. Jantei pouco feito sabiá, cantei muito pra lembrar que pintar a vida só de azul não vale: é preciso misturar com o verde.
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