Enganar é uma arte. É o desafio próprio de ludibriar alguém e sorrir intimamente vitorioso. Enganar é simplesmente enganar, com a velha desculpa de ter omitido com medo da dor ou ciúme que poderia causar. Enganar não é lecionado como matéria obrigatória nas escolas de todo o mundo, contudo apresenta altos índices de frequentadores e, pasmem ou não, de alunos aprovados com notas de dar inveja a qualquer mortal com o QI acima de duzentos. Enganar é sair dizendo que vai ao trabalho e desviar a rota, é ligar quando não estamos em casa, é escolher o desejo ao sentimento. Fracos defendem que enganar é hormonal, é evolutivo, é do instinto da sobrevivência. Outros afirmam que é saborear o proibido, é se aproximar de alguém próximo a você para enganar em conjunto: demodê é enganar na solidão; é preciso união, é preciso sorrir do enganado e contar suas intimidades com o objetivo de minimizá-lo, de descobrir detalhes não conhecidos. Enganar tem sabor de morango com sorvete de creme, tem música tema e mensagens românticas que serão negadas depois de descobertas. Enganar tem idade alvo e carência como tola e inacreditável justificativa. Enganar não exclui o ato de dormir juntos como se nada estivesse acontecendo, não exclui beijos matinais ou sexos casuais. Enganar deve ser genético, sem necessidade de duplo dominante para macular a fenotipagem. Enganar é nomear um longo passado em apenas três segundos e repetí-lo várias vezes para uma absorção osmótica: é utilizar desse frívolo argumento para se safar das consequências e empurrar mil sentimentos no meio da lavagem de roupa suja. Enganar é publicar textos com duplo sentindo e fingir ignorar as conotações. Enganar é duvidar do infalível método chinês de diagnóstico: TANAKARA !! Enganar é negar fatos óbvios e esboçar desentendimento ou esquecimento quando perguntado sobre os mesmos fatos óbvios. Enganar é doloroso para os algozes e para as vítimas. Enganar é tentar abafar no passado algo que provavelmente é ato recorrente e culpar a fraqueza da carne. Enganar é Rei tendo todos nós como escravos; escravos de um futuro sombrio, sem escolha e sem rebelião.
POÉTICO !!!DR POESIA!!! BELLO!!
ResponderExcluirIdentificação instantânea e indubitável.
ResponderExcluirÉ o que acontece quando se lê isto, não importando de que lado da balança se esteja.
Provavelmente, dos dois.